As plantas medicinais vêm sendo utilizadas por um público cada vez maior e recebendo incentivo da própria Organização Mundial de Saúde, que recomendou aos países membros que desenvolvessem pesquisas visando ao uso da flora com propósitos terapêuticas. O principal fator a contribuir para o crescimento dessa prática terapêutica consiste no desenvolvimento de estudos químicos e farmacológicos que comprovem a eficácia das plantas medicinais. A avaliação do potencial terapêutico destas e de seus constituintes tem sido objeto de vários trabalhos, em que já foram comprovadas suas ações farmacológicas e sua eficácia terapêutica por meio de testes pré-clínicos e clínicos. Em se tratando do uso das plantas medicinais, este pode ser realizado por meio da própria planta, após processo de beneficiamento, ou como fonte de compostos químicos com atividade farmacológica; uma planta pode ter centenas de metabólitos secundários. Uma vez obtido o composto biologicamente ativo, pode-se lançar mão de estudos envolvendo modificação molecular para otimizar essa atividade. Dessa forma, esses compostos ativos serviriam de modelo para a síntese de substâncias análogas mais potentes e seletivas, que podem ser obtidas mais facilmente e, em alguns casos, a custos menores. Fármacos como a morfina isolada de Papaver somniferum, a vincristina isolada de Catharanthus roseus e o taxol isolado de plantas do gênero Taxus, entre outros, são amplamente utilizados na medicina (CECHINEL FILHO e YUNES, 1998). Com relação aos medicamentos obtidos a partir das drogas vegetais, a sua ação está relacionado com o princípio ativo que se pressupõe encontrar na planta em uso. Difere da alopatia pelo desconhecimento do princípio ativo, que no vegetal é identificado, extraído ou sintetizado e dosado de acordo com os estudos farmacológicos. Na fitoterapia, ocorre um conjunto de substâncias ativas no medicamento, denominado fitocomplexo, e as propriedades terapêuticas do extrato bruto da planta será o resultado da interação dos diversos componentes químicos nela existentes. Também é importante ressaltar que o estudo sistemático das plantas medicinais envolve conhecimento em várias áreas, como antropologia, botânica, química e farmácia, entre outras. Por meio do estudo interdisciplinar, é possível chegar à dosagem correta de cada espécie, o que está relacionado com as condições de cultivo e constituição genética da planta, fatores que interferem na variação do teor de princípios ativos. A determinação da dosagem adequada da droga vegetal também está relacionada com a possível toxicidade de algumas espécies. Com base no que foi exposto, o presente trabalho teve por objetivo abordar aspectos gerais que envolvem os metabólitos secundários nas plantas medicinais, relacionando a natureza desses compostos com a sua ocorrência e aplicação. Também, a biodiversidade foi discutida, mostrando que, em cada organismo que corre o risco de extinção, muitas possibilidades de descoberta de compostos químicos biologicamente ativos serão perdidas se isso for consumado.
Autores: Henrique Guilhon de Castro, Francisco Affonso Ferreira, Derly José Henriques da Silva e Paulo Roberto Mosquim Ano: 2004 Número de Páginas: 113 Tamanho: 15,5 X 21,5 cm Acabamento: Brochura ISBN: 30983571
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